Biography

Leo Lerro foi, muito mais que um arquiteto genial, um artista genial. Isso para expressar que, antes de fazer arquitetura, ele fazia, na realidade, arte.
Existe em Ubatuba uma encantadora praia, indo em direção a Paraty, logo depois da Praia de Prumirim. Ela se chama praia do Leo porque está justamente em frente à casa que ele construiu para si mesmo durante dez longos anos.
Chamá-la de casa não faria jus a sua grandiosidade. Pois então a denominamos aqui de stonecastle, em inglês que é a língua universal. “Castelo de Pedra” cabe bem para nomear a residência dos sonhos do Leo Lerro.
Contrapondo-se à arquitetura asséptica do concreto e do despojamento, Leo exercitou uma arquitetura da terra: orgânica, literalmente, e visionária por ter existido quando a palavra orgânica pouco representava. Seu castelo de pedra, seguindo o padrão das suas outras construções, foi feito de dentro para fora.
O deslumbramento que as colossais colunas e paredes de pedra nos provocam deve-se ao fato de que cada uma das pedras que as compõem ter sido escolhida por Leo. Sim, ele esteve o tempo inteiro no canteiro de obras acompanhando a fixação de pedra a pedra e escolhendo sempre aquelas que seriam as mais perfeitas, as mais belas, aquelas que melhor se ajustariam ao seu gosto em cada parede, em cada coluna. Uma preocupação maníaca que resultou em um ambiente de beleza única, singular.
Quando entramos no seu castelo, onde viveu solitário, não conseguimos entender como ele conseguiu, em um local tão amplo, onde nos perdemos quando distraídos, viver sozinho. Parece que pela sua amplitude, seria ali fundamental a presença de muita gente; gente conversando, gente dançando, gente jogando snooker, gente jogando baralho, gente cozinhando, gente nadando, gente simplesmente admirando o mar imenso engolindo a paisagem.
Contudo, é só questão de ficar ali, um tempo a mais, relaxadamente. Então percebemos que Leo jamais esteve sozinho em seu castelo. Contou o tempo todo com a companhia de três hóspedes ilustres e maravilhosos que continuam lá residindo e vão continuar lá para sempre, enquanto o seu adorado castelo existir.
São eles o sol, a brisa e o mar. A presença deles invade todos os recantos – e incontáveis são esses recantos – da enorme área da sua morada mais querida. Eles aquecem carinhosamente a nossa pele, refrescam o nosso corpo e regalam os nossos olhos.
Privilegiados são aqueles que podem dar-se ao deleite de habitar, ainda que passageiramente, o castelo de pedras de Leo Lerro.
Para descrevê-lo à sua altura, as palavras, seguramente, faltarão, Mas como reza a conhecida máxima, a de que uma boa foto vale mais que mil palavras, vamos pois agora ater-nos às fotos que o retratam.